Reservo esse espaço para expressar minhas opiniões sobre cinema, livros e séries de TV de maneira crítica e pessoal. Discutir sobre esses materiais de arte que me inspiram e me fazem crescer intelectualmente. Nada presunçoso. Apenas minha humilde opinião que gostaria de compartilhar. Afinal, não é pra isso que servem os blogs?
Sejam bem-vindos!
Em adição ao post anterior, gostaria de colocar esta cena de "Girls" que, para mim, é uma das melhores da série. São diálogos inteligentes que mostram o clima real do programa, além de ótima direção e performance das atrizes. A cena em questão é de uma brigada entre Hannah e Marnie.
Já esta outra cena - que também adoro - mostra Jessa pela primeira vez em um momento de vulnerabilidade, destruindo o estereótipo de menina cool e bem resolvida. Na cena, Jessa procura Hannah e, sem falar nada, demonstra todas as suas emoções após o fim de seu casamento relâmpago. Palmas para Jemima Kirke, que não se considera atriz, mas que aqui dá um show de interpretação.
É tão bom ser surpreendida
positivamente! Sem grandes expectativas, fui assistir “Se Enlouquecer, Não se Apaixone”
(It's Kind of a FunnyStory). Novamente, o título brasileiro foi infeliz. Mas não se deixe enganar,
o filme vale a pena. Contando com uma sensibilidade sutil, porém poderosa, o
longa é contado de forma simples e traz atuações delicadas através de uma
história cativante. Pena que não teve seu devido reconhecimento...
Vamos à história! Craig, um menino de 16 anos (Keir Gilchrist), estressado com as demandas de ser um adolescente e por
causa de sérios problemas escolares e emocionais, se interna em uma clínica
psiquiátrica. Lá ele descobre que a ala dos menores está fechada — e se
encontra preso na enfermaria adulta. Craig passa a conviver com adultos que
possuem diversificados problemas mentais — incluindo Bobby (Zach Galifianakis) o qual se torna mentor de Craig durante sua estadia na
clínica —, e se apaixona por uma moça um tanto desequilibrada, da mesma idade,
chamada Noelle (Emma Roberts).
Encantei-me com dois atores em particular: Keir Gilchrist, intérprete do sensível e depressivo Craig; e Zach Galifianakis, ator já conhecido por seu ótimo timing cômico e pela trilogia
de estrondoso sucesso “Se Beber Não Case”. O primeiro se mostra natural no
papel de um menino emocionalmente abalado pelas pressões que sofre. Demonstrando
grande vulnerabilidade, Gilchrist apresenta sutilmente o que a depressão
pode fazer com um jovem rapaz. Já Galifianakis prova que a veia cômica não é
sua única virtude como ator. Em um papel que é um misto de comédia e drama, Zach
entrega um personagem cativante, no qual torcemos e queremos ajudar. Versatilidade
é isso.
Destaco também a participação da
atriz indicada duas vezes ao Oscar, Viola Davis. Ótima como a psiquiatra responsável
por esta ala do hospital, Davis nos entrega uma terapeuta que foge dos clichês
do gênero, com uma participação que, embora seja curta, é extremamente
eficiente. Viola é o tipo de atriz que traz energia consigo. Mais um ponto
positivo para o longa!
Não vou me estender, pois espero
que muitos vejam o filme e, como eu, se surpreendam. A mensagem por mim captada
é: não ceda à pressão. Sim, ela é constante e a vida por si só já é difícil. Mas,
deixemos para sofrer e nos preocupar com o que for realmente desconcertante. Como diria Mercury e Bowie, “Why can't we give love that one more chance?”. Vamos dar mais uma chance
para amor e para nós mesmos.
OBS: A música “Under Pressure” não foi citada no título
à toa, há no filme uma parte com a canção. Imperdível, cativante e catártico!
Até onde nossos planos dão certo?
A fórmula parece simples: estudar, se formar, trabalhar, casar e ter filhos. No
entanto, essa nem sempre é a ordem natural das coisas, e muitos optam por
recorrer a outro caminho.
É engraçado quando analisamos os
sonhos e desejos que tínhamos na época da escola e imaginávamos como seria
nossa vida ao se formar. Seremos bem-sucedidos, realizados pessoalmente e com
uma família em vista – isso antes dos 30 anos. Depois, é lucro.
Curioso também é como um filme
pode me fazer refletir sobre a vida. A história não precisa ser de
identificação total com meu cotidiano, mas as emoções e catarse provocadas pela
obra são extremamente tocantes.
Esse começo é para introduzir o
filme que hoje escrevo:Jovens Adultos(Young Adults, 2011). Escrito porDiablo Codye dirigido porJason Reitman, a mesma dupla do
ótimo e aclamadoJuno(idem, 2007), o longa conta a história
de Mavis Gary (Charlize Theron,em performance incrível e ignorada
pela Academia), uma ghostwriter já sem tanta criatividade para produzir seus
livros juvenis. A fim de recuperar a inspiração – já que seus livros não fazem
mais tanto sucesso – e a própria identidade, ela volta para sua cidade natal,
onde pretende reencontrar conhecidos da adolescência e reviver seu passado. Uma
parte deste passado é o ex-namorado dos tempos de escola, Buddy Slade (Patrick
Wilson), que encontra já casado e com um filho. Nessa
jornada, Mavis acaba criando uma ligação fora do comum com um ex-colegaMatt Freehauf(Patton Oswalt),
que também ainda não superou totalmente o colegial.
Com 37 anos, o peso de um
divórcio nas costas, alcoólatra e com sua série de livros fadada ao fracasso,
Mavis quer recuperar os tempos de glória que tinha quando era a garota mais
popular da escola. Para isso, ela age como uma adolescente acreditando que
conseguirá a felicidade passada reatando com seu namoradinho da adolescência.
A relação de Mavis com Matt é a
mais interessante. A amizade improvável chama atenção. Ambos se veem presos ao
passado. Ela pelos motivos acima citados, e Matt pelo trauma de ter sido alvo
da violência dos garotos populares da escola, que bateram tanto nele, o que
resultou em um problema físico.
Acredito que um dos segredos para
um grande obra - seja na literatura, ou como nesse caso, no cinema - é sua
atemporalidade. Aquele fator que permanece com o passar dos anos, cujo o
público possa se identificar, não importando sua geração.
Esse é o caso deCaindo na Real(Reality Bites, 1994), que após
dezoito anos de sua estreia, permanece atual e completamente condizente com
essa geração - a minha geração.
O filme retrata, entre outras questões, as crises
existenciais de jovens de 20 e poucos anos, o que não poderia ser mais atual.
Seja na geração MTV dos anos 90, ou na atual geração Y.
Como melhor aluna da faculdade, a
jovem Lelaina Pierce (a ótimaWinona Ryder) estava destinada a
um grande sucesso profissional. Na realidade, ela é uma assistente de produção
de um detestável programa de TV matinal de seu patrão, Grant Gubler. Em
seu tempo livre, Lelaina faz um ultrajante documentário em vídeo sobre a vida
de sua colega de quarto, a liberal Vickie Miner, o sexualmente reprimido Sammy
Gray e seu melhor amigo, Tray Dyer, um rebelde brilhante, mas desmotivado. Ao
conhecer Michael, um ambicioso executivo de vídeo que quer mostrar o
documentário dela num programa de televisão, ela se vê de repente no centro de
um estranho triângulo amoroso com o dependente Michael (Ben Stiller) de um lado e o sexy
Tray (Ethan Hawke, também
sensacional) do outro.
Confesso que a minha
identificação com o longa foi instantânea e me vi em muitas situações pelas
quais os personagens passam. Inclusive, a idade é a mesma.
"Eu realmente queria ser
alguém quando tivesse 23 anos", confessa Lelaina. Tray responde:
"Minha querida, tudo o que você tem que ser com 23 anos é você
mesma". Ela devolve: "Eu já não sei mais quem ela é".
Divórcio, HIV, homossexualidade
também são assuntos retratados no filme com sutileza, o que faz a obra ser
bastante agradável , mas nem por isso deixa de ser questionadora.
Indefinições, inseguranças,
instabilidade. Essas são questões universais, não importa sua idade, nem sua
geração.
A cena que pode ser considerada
mais marcante e triste do longa “Namorados
para sempre”, é quando a personagem deMichelle Williamsdiz com todas as letras paraRyan
Goslingque não sente mais nada por ele. A
intensidade da atuação da dupla é tão forte que traz um realismo marcante para
o filme. A cena citada é apenas um aperitivo do percurso do filme.
Não se engane com o título
infantil que foi pessimamente “traduzido”.Blue Valentine,
nome original do longa, é
um drama melancólico que narra a deterioração de um relacionamento. Para trazer
mais realismo ao filme, o diretorDerek Cianfrancefilmou primeiro as cenas do casal se
apaixonando, para depois rodar as do fim do casamento, onde eles chegaram a um
nível insuportável de convivência.
Williams e Gosling são um dos
melhores atores dessa geração. Intensos, bonitos e cheios de atitude e nuances
visíveis em suas performances, a dupla é o grande destaque de “Namorados para
sempre”. A belíssima trilha sonora conta com "You always hurt the one you
love", justamente na cena em que o personagem de Gosling canta para a
amada. A música não poderia ser mais condizente com o filme. A direção
consistente, somada a um roteiro muito bem escrito fazem desse filme um dos
mais tristes e sensacionais dos últimos anos.
Filmes pessoais são os que mais
me atraem. Acho que a profundidade dos personagens desse gênero faz eles se
aproximarem de nós, pessoas reais. Quando falo isso para os outros,
recebo instantaneamente reações de espanto. Dizem: "Esse filme é
deprimente! Como você pode gostar disso?". Mas é exatamente o oposto. Acho
que o cineasta quer justamente nos alertar através do problema de seus
personagens. O artista quer mostrar "Olha, isso está errado, vamos
mudar!". Por isso, esses filmes têm efeito catártico em mim.
Essa introdução foi feita para
explicar o filme que comento hoje. "As Horas", baseado
no livro homônimo de Michael Cunningham,
é um dos filmes mais poéticos que já assisti. Sem dúvida, está entre meus
preferidos. Para que não conhece, o longa retrata, em três períodos diferentes,
a vida de três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway", de Virginia
Woolf, incluindo a própria. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro,
que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1950 vive Laura
Brown (Julianne Moore), uma
dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário
para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive
Clarissa Vaughn (Meryl Streep),
uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora
seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.
A partir de então, as histórias
são interligadas, retratando semelhanças e diferenças entre elas. O livro de
Woolf é um importante pano de fundo, quase um personagem do filme. Em 1923, a
autora escreve o livro, em 1950 Laura Brown lê o livro e anos 2000, Clarisse
Vaughn é a própria Mrs. Dalloway.
Não quero estragar o prazer de
quem tem a intenção de ver o filme, por isso não vou me aprofundar no que
ocorre durante ele. Mas posso dizer que não é um filme só para mulheres. Ele
retrata a depressão, a insatisfação de estar preso em uma vida que não se quer.
De esconder o que realmente sente. Esses sentimentos são universais. Não a depressão
em si, mas a insatisfação, principalmente em um mundo em que, às vezes, nos
encontramos presos.
A doença vista frequentemente
como fator positivo no processo criativo, é vista de outra maneira aqui.
Virginia que se sente infeliz e depressiva, não consegue realizar seu trabalho
muito bem, apesar de ter começado o livro. Algumas pesquisas mostram que sua
fase mais criativa foi justamente quando estava com a saúde melhor.
Tanto as atuações, quanto a
direção e o roteiro do filme são impecáveis. Acredito que Nicole Kidman
(maravilhosa) ganhou o Oscar de melhor atriz pelo seu desempenho na cena da
estação de trem. Na ocasião, toda angústia da personagem é exposta e sua
brilhante atuação é comovente. Quando ela diz "até o pior paciente tem
direto de opinar sobre seu próprio remédio", está fantástica.
Agora, para mim, o maior destaque
no filme é Julianne Moore. Ela é uma das melhores atrizes do cinema atualmente.
Me espanto como ela perdeu a estatueta na época para Catherine Zeta-Jones em
"Chicago".
Vemos quando um ator é realmente completo quando ele consegue traduzir toda sua
emoção através do olhar e em poucas palavras. E é exatamente isso que ela faz.
Meryl Streep dispensa
comentários, apesar de não ser o maior destaque do filme e Ed Harris está em
seu melhor papel.
Por fim, um filme belíssimo que nos faz pensar se
estamos realmente apreciando nossa vida e fazendo boas escolhas. Como diz
Virginia para seu marido na já citada cena da estação de trem, "You cannot
find peace by avoiding life", traduzindo, "Não se pode ter paz
evitando a vida".