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sábado, 1 de junho de 2013

...Continuando

Em adição ao post anterior, gostaria de colocar esta cena de "Girls" que, para mim, é uma das melhores da série. São diálogos inteligentes que mostram o clima real do programa, além de ótima direção e performance das atrizes. A cena em questão é de uma brigada entre Hannah e Marnie.


Já esta outra cena - que também adoro - mostra Jessa pela primeira vez em um momento de vulnerabilidade, destruindo o estereótipo de menina cool e bem resolvida. Na cena, Jessa procura Hannah e, sem falar nada, demonstra todas as suas emoções após o fim de seu casamento relâmpago. Palmas para Jemima Kirke, que não se considera atriz, mas que aqui dá um show de interpretação. 




O que acharam das cenas? Alguém se identifica?

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Under Pressure


É tão bom ser surpreendida positivamente! Sem grandes expectativas, fui assistir “Se Enlouquecer, Não se Apaixone” (It's Kind of a FunnyStory). Novamente, o título brasileiro foi infeliz. Mas não se deixe enganar, o filme vale a pena. Contando com uma sensibilidade sutil, porém poderosa, o longa é contado de forma simples e traz atuações delicadas através de uma história cativante. Pena que não teve seu devido reconhecimento...

Vamos à história! Craig, um menino de 16 anos (Keir Gilchrist), estressado com as demandas de ser um adolescente e por causa de sérios problemas escolares e emocionais, se interna em uma clínica psiquiátrica. Lá ele descobre que a ala dos menores está fechada — e se encontra preso na enfermaria adulta. Craig passa a conviver com adultos que possuem diversificados problemas mentais — incluindo Bobby (Zach Galifianakis) o qual se torna mentor de Craig durante sua estadia na clínica —, e se apaixona por uma moça um tanto desequilibrada, da mesma idade, chamada Noelle (Emma Roberts).


Encantei-me com dois atores em particular: Keir Gilchrist, intérprete do sensível e depressivo Craig; e  Zach Galifianakis, ator já conhecido por seu ótimo timing cômico e pela trilogia de estrondoso sucesso “Se Beber Não Case”. O primeiro se mostra natural no papel de um menino emocionalmente abalado pelas pressões que sofre. Demonstrando grande vulnerabilidade, Gilchrist apresenta sutilmente o que a depressão pode fazer com um jovem rapaz. Já Galifianakis prova que a veia cômica não é sua única virtude como ator. Em um papel que é um misto de comédia e drama, Zach entrega um personagem cativante, no qual torcemos e queremos ajudar. Versatilidade é isso.

Destaco também a participação da atriz indicada duas vezes ao Oscar, Viola Davis. Ótima como a psiquiatra responsável por esta ala do hospital, Davis nos entrega uma terapeuta que foge dos clichês do gênero, com uma participação que, embora seja curta, é extremamente eficiente. Viola é o tipo de atriz que traz energia consigo. Mais um ponto positivo para o longa!


Não vou me estender, pois espero que muitos vejam o filme e, como eu, se surpreendam. A mensagem por mim captada é: não ceda à pressão. Sim, ela é constante e a vida por si só já é difícil. Mas, deixemos para sofrer e nos preocupar com o que for realmente desconcertante. Como diria Mercury e Bowie, “Why can't we give love that one more chance?”. Vamos dar mais uma chance para amor e para nós mesmos.


OBS: A música “Under Pressure” não foi citada no título à toa, há no filme uma parte com a canção. Imperdível, cativante e catártico!

domingo, 5 de agosto de 2012

Young folks




Até onde nossos planos dão certo? A fórmula parece simples: estudar, se formar, trabalhar, casar e ter filhos. No entanto, essa nem sempre é a ordem natural das coisas, e muitos optam por recorrer a outro caminho.
É engraçado quando analisamos os sonhos e desejos que tínhamos na época da escola e imaginávamos como seria nossa vida ao se formar. Seremos bem-sucedidos, realizados pessoalmente e com uma família em vista – isso antes dos 30 anos. Depois, é lucro.
Curioso também é como um filme pode me fazer refletir sobre a vida. A história não precisa ser de identificação total com meu cotidiano, mas as emoções e catarse provocadas pela obra são extremamente tocantes.
Esse começo é para introduzir o filme que hoje escrevo: Jovens Adultos (Young Adults, 2011). Escrito por Diablo Cody e dirigido por Jason Reitman, a mesma dupla do ótimo e aclamado Juno (idem, 2007), o longa conta a história de Mavis Gary (Charlize Theron, em performance incrível e ignorada pela Academia), uma ghostwriter já sem tanta criatividade para produzir seus livros juvenis. A fim de recuperar a inspiração – já que seus livros não fazem mais tanto sucesso – e a própria identidade, ela volta para sua cidade natal, onde pretende reencontrar conhecidos da adolescência e reviver seu passado. Uma parte deste passado é o ex-namorado dos tempos de escola, Buddy Slade (Patrick Wilson), que encontra já casado e com um filho. Nessa jornada, Mavis acaba criando uma ligação fora do comum com um ex-colega Matt Freehauf (Patton Oswalt), que também ainda não superou totalmente o colegial. 
Com 37 anos, o peso de um divórcio nas costas, alcoólatra e com sua série de livros fadada ao fracasso, Mavis quer recuperar os tempos de glória que tinha quando era a garota mais popular da escola. Para isso, ela age como uma adolescente acreditando que conseguirá a felicidade passada reatando com seu namoradinho da adolescência.
A relação de Mavis com Matt é a mais interessante. A amizade improvável chama atenção. Ambos se veem presos ao passado. Ela pelos motivos acima citados, e Matt pelo trauma de ter sido alvo da violência dos garotos populares da escola, que bateram tanto nele, o que resultou em um problema físico.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Reality bites


Acredito que um dos segredos para um grande obra - seja na literatura, ou como nesse caso, no cinema - é sua atemporalidade. Aquele fator que permanece com o passar dos anos, cujo o público possa se identificar, não importando sua geração.
Esse é o caso de Caindo na Real (Reality Bites, 1994), que após dezoito anos de sua estreia, permanece atual e completamente condizente com essa geração - a minha geração.
O filme retrata, entre outras questões, as crises existenciais de jovens de 20 e poucos anos, o que não poderia ser mais atual. Seja na geração MTV dos anos 90, ou na atual geração Y.  
Como melhor aluna da faculdade, a jovem Lelaina Pierce (a ótima Winona Ryder) estava destinada a um grande sucesso profissional. Na realidade, ela é uma assistente de produção de um detestável programa de TV matinal de seu patrão, Grant Gubler. Em seu tempo livre, Lelaina faz um ultrajante documentário em vídeo sobre a vida de sua colega de quarto, a liberal Vickie Miner, o sexualmente reprimido Sammy Gray e seu melhor amigo, Tray Dyer, um rebelde brilhante, mas desmotivado. Ao conhecer Michael, um ambicioso executivo de vídeo que quer mostrar o documentário dela num programa de televisão, ela se vê de repente no centro de um estranho triângulo amoroso com o dependente Michael (Ben Stiller) de um lado e o sexy Tray (Ethan Hawke, também sensacional) do outro. 
Confesso que a minha identificação com o longa foi instantânea e me vi em muitas situações pelas quais os personagens passam. Inclusive, a idade é a mesma.
"Eu realmente queria ser alguém quando tivesse 23 anos", confessa Lelaina. Tray responde: "Minha querida, tudo o que você tem que ser com 23 anos é você mesma". Ela devolve: "Eu já não sei mais quem ela é".
Divórcio, HIV, homossexualidade também são assuntos retratados no filme com sutileza, o que faz a obra ser bastante agradável , mas nem por isso deixa de ser questionadora. 
Indefinições, inseguranças, instabilidade. Essas são questões universais, não importa sua idade, nem sua geração.



domingo, 2 de outubro de 2011

"You always hurt the one you love"



A cena que pode ser considerada mais marcante e triste do longa “Namorados para sempre”, é quando a personagem de Michelle Williams diz com todas as letras para Ryan Gosling que não sente mais nada por ele. A intensidade da atuação da dupla é tão forte que traz um realismo marcante para o filme. A cena citada é apenas um aperitivo do percurso do filme.
Não se engane com o título infantil que foi pessimamente “traduzido”. Blue Valentine, nome original do longa,  é um drama melancólico que narra a deterioração de um relacionamento. Para trazer mais realismo ao filme, o diretor Derek Cianfrance filmou primeiro as cenas do casal se apaixonando, para depois rodar as do fim do casamento, onde eles chegaram a um nível insuportável de convivência.
Williams e Gosling são um dos melhores atores dessa geração. Intensos, bonitos e cheios de atitude e nuances visíveis em suas performances, a dupla é o grande destaque de “Namorados para sempre”. A belíssima trilha sonora conta com "You always hurt the one you love", justamente na cena em que o personagem de Gosling canta para a amada. A música não poderia ser mais condizente com o filme. A direção consistente, somada a um roteiro muito bem escrito fazem desse filme um dos mais tristes e sensacionais dos últimos anos. 


terça-feira, 12 de abril de 2011

"You cannot find peace by avoiding life"





Filmes pessoais são os que mais me atraem. Acho que a profundidade dos personagens desse gênero faz eles se aproximarem de nós, pessoas reais. Quando falo isso para os outros, recebo instantaneamente reações de espanto. Dizem: "Esse filme é deprimente! Como você pode gostar disso?". Mas é exatamente o oposto. Acho que o cineasta quer justamente nos alertar através do problema de seus personagens. O artista quer mostrar "Olha, isso está errado, vamos mudar!". Por isso, esses filmes têm efeito catártico em mim.  
Essa introdução foi feita para explicar o filme que comento hoje. "As Horas", baseado no livro homônimo de Michael Cunningham, é um dos filmes mais poéticos que já assisti. Sem dúvida, está entre meus preferidos. Para que não conhece, o longa retrata, em três períodos diferentes, a vida de três mulheres ligadas ao livro "Mrs. Dalloway", de Virginia Woolf, incluindo a própria. Em 1923 vive Virginia Woolf (Nicole Kidman), autora do livro, que enfrenta uma crise de depressão e ideias de suicídio. Em 1950 vive Laura Brown (Julianne Moore), uma dona de casa grávida que mora em Los Angeles, planeja uma festa de aniversário para o marido e não consegue parar de ler o livro. Nos dias atuais vive Clarissa Vaughn (Meryl Streep), uma editora de livros que vive em Nova York e dá uma festa para Richard (Ed Harris), escritor que fora seu amante no passado e hoje está com Aids e morrendo.
A partir de então, as histórias são interligadas, retratando semelhanças e diferenças entre elas. O livro de Woolf é um importante pano de fundo, quase um personagem do filme. Em 1923, a autora escreve o livro, em 1950 Laura Brown lê o livro e anos 2000, Clarisse Vaughn é a própria Mrs. Dalloway.  
Não quero estragar o prazer de quem tem a intenção de ver o filme, por isso não vou me aprofundar no que ocorre durante ele. Mas posso dizer que não é um filme só para mulheres. Ele retrata a depressão, a insatisfação de estar preso em uma vida que não se quer. De esconder o que realmente sente. Esses sentimentos são universais. Não a depressão em si, mas a insatisfação, principalmente em um mundo em que, às vezes, nos encontramos presos. 
A doença vista frequentemente como fator positivo no processo criativo, é vista de outra maneira aqui. Virginia que se sente infeliz e depressiva, não consegue realizar seu trabalho muito bem, apesar de ter começado o livro. Algumas pesquisas mostram que sua fase mais criativa foi justamente quando estava com a saúde melhor. 
Tanto as atuações, quanto a direção e o roteiro do filme são impecáveis. Acredito que Nicole Kidman (maravilhosa) ganhou o Oscar de melhor atriz pelo seu desempenho na cena da estação de trem. Na ocasião, toda angústia da personagem é exposta e sua brilhante atuação é comovente. Quando ela diz "até o pior paciente tem direto de opinar sobre seu próprio remédio", está fantástica.
Agora, para mim, o maior destaque no filme é Julianne Moore. Ela é uma das melhores atrizes do cinema atualmente. Me espanto como ela perdeu a estatueta na época para Catherine Zeta-Jones em "Chicago". Vemos quando um ator é realmente completo quando ele consegue traduzir toda sua emoção através do olhar e em poucas palavras. E é exatamente isso que ela faz.  
Meryl Streep dispensa comentários, apesar de não ser o maior destaque do filme e Ed Harris está em seu melhor papel. 
Por fim, um filme belíssimo que nos faz pensar se estamos realmente apreciando nossa vida e fazendo boas escolhas. Como diz Virginia para seu marido na já citada cena da estação de trem, "You cannot find peace by avoiding life", traduzindo, "Não se pode ter paz evitando a vida".