quarta-feira, 29 de maio de 2013

Under Pressure


É tão bom ser surpreendida positivamente! Sem grandes expectativas, fui assistir “Se Enlouquecer, Não se Apaixone” (It's Kind of a FunnyStory). Novamente, o título brasileiro foi infeliz. Mas não se deixe enganar, o filme vale a pena. Contando com uma sensibilidade sutil, porém poderosa, o longa é contado de forma simples e traz atuações delicadas através de uma história cativante. Pena que não teve seu devido reconhecimento...

Vamos à história! Craig, um menino de 16 anos (Keir Gilchrist), estressado com as demandas de ser um adolescente e por causa de sérios problemas escolares e emocionais, se interna em uma clínica psiquiátrica. Lá ele descobre que a ala dos menores está fechada — e se encontra preso na enfermaria adulta. Craig passa a conviver com adultos que possuem diversificados problemas mentais — incluindo Bobby (Zach Galifianakis) o qual se torna mentor de Craig durante sua estadia na clínica —, e se apaixona por uma moça um tanto desequilibrada, da mesma idade, chamada Noelle (Emma Roberts).


Encantei-me com dois atores em particular: Keir Gilchrist, intérprete do sensível e depressivo Craig; e  Zach Galifianakis, ator já conhecido por seu ótimo timing cômico e pela trilogia de estrondoso sucesso “Se Beber Não Case”. O primeiro se mostra natural no papel de um menino emocionalmente abalado pelas pressões que sofre. Demonstrando grande vulnerabilidade, Gilchrist apresenta sutilmente o que a depressão pode fazer com um jovem rapaz. Já Galifianakis prova que a veia cômica não é sua única virtude como ator. Em um papel que é um misto de comédia e drama, Zach entrega um personagem cativante, no qual torcemos e queremos ajudar. Versatilidade é isso.

Destaco também a participação da atriz indicada duas vezes ao Oscar, Viola Davis. Ótima como a psiquiatra responsável por esta ala do hospital, Davis nos entrega uma terapeuta que foge dos clichês do gênero, com uma participação que, embora seja curta, é extremamente eficiente. Viola é o tipo de atriz que traz energia consigo. Mais um ponto positivo para o longa!


Não vou me estender, pois espero que muitos vejam o filme e, como eu, se surpreendam. A mensagem por mim captada é: não ceda à pressão. Sim, ela é constante e a vida por si só já é difícil. Mas, deixemos para sofrer e nos preocupar com o que for realmente desconcertante. Como diria Mercury e Bowie, “Why can't we give love that one more chance?”. Vamos dar mais uma chance para amor e para nós mesmos.


OBS: A música “Under Pressure” não foi citada no título à toa, há no filme uma parte com a canção. Imperdível, cativante e catártico!

Um comentário:

  1. Ótimas reflexões! Quando começamos a ver o filme, não temos a real dimensão dele. E você o resume com graça e elegância

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