É tão bom ser surpreendida
positivamente! Sem grandes expectativas, fui assistir “Se Enlouquecer, Não se Apaixone”
(It's Kind of a FunnyStory). Novamente, o título brasileiro foi infeliz. Mas não se deixe enganar,
o filme vale a pena. Contando com uma sensibilidade sutil, porém poderosa, o
longa é contado de forma simples e traz atuações delicadas através de uma
história cativante. Pena que não teve seu devido reconhecimento...
Vamos à história! Craig, um menino de 16 anos (Keir Gilchrist), estressado com as demandas de ser um adolescente e por
causa de sérios problemas escolares e emocionais, se interna em uma clínica
psiquiátrica. Lá ele descobre que a ala dos menores está fechada — e se
encontra preso na enfermaria adulta. Craig passa a conviver com adultos que
possuem diversificados problemas mentais — incluindo Bobby (Zach Galifianakis) o qual se torna mentor de Craig durante sua estadia na
clínica —, e se apaixona por uma moça um tanto desequilibrada, da mesma idade,
chamada Noelle (Emma Roberts).
Encantei-me com dois atores em particular: Keir Gilchrist, intérprete do sensível e depressivo Craig; e Zach Galifianakis, ator já conhecido por seu ótimo timing cômico e pela trilogia
de estrondoso sucesso “Se Beber Não Case”. O primeiro se mostra natural no
papel de um menino emocionalmente abalado pelas pressões que sofre. Demonstrando
grande vulnerabilidade, Gilchrist apresenta sutilmente o que a depressão
pode fazer com um jovem rapaz. Já Galifianakis prova que a veia cômica não é
sua única virtude como ator. Em um papel que é um misto de comédia e drama, Zach
entrega um personagem cativante, no qual torcemos e queremos ajudar. Versatilidade
é isso.
Destaco também a participação da
atriz indicada duas vezes ao Oscar, Viola Davis. Ótima como a psiquiatra responsável
por esta ala do hospital, Davis nos entrega uma terapeuta que foge dos clichês
do gênero, com uma participação que, embora seja curta, é extremamente
eficiente. Viola é o tipo de atriz que traz energia consigo. Mais um ponto
positivo para o longa!
Não vou me estender, pois espero
que muitos vejam o filme e, como eu, se surpreendam. A mensagem por mim captada
é: não ceda à pressão. Sim, ela é constante e a vida por si só já é difícil. Mas,
deixemos para sofrer e nos preocupar com o que for realmente desconcertante. Como diria Mercury e Bowie, “Why can't we give love that one more chance?”. Vamos dar mais uma chance
para amor e para nós mesmos.
OBS: A música “Under Pressure” não foi citada no título
à toa, há no filme uma parte com a canção. Imperdível, cativante e catártico!



Ótimas reflexões! Quando começamos a ver o filme, não temos a real dimensão dele. E você o resume com graça e elegância
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