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sábado, 8 de novembro de 2014

Tavi Gevinson e porque precisamos ver mulheres multifacetadas no cinema e na TV


Eu sei, eu sei... esse blog é de resenhas de cinema. Mas já que é meu, por que não mudar? E minha pauta de hoje não deixa de ser relacionada ao tema. Vamos lá! Eu acabei de ver um vídeo que me deixou muito inspirada. E preciso falar sobre isso, colocar pra fora. E, para mim, nada melhor do que fazer isso escrevendo. O que me inspirou foi um discurso da Tavi Gevinson no TED há 2 anos. Sim, estou atrasada. Mas nunca é tarde para descobrir coisa boa, não é?

Afinal, quem é Tavi Gevinson? Tavi é uma menina prodígio, daquelas "gênias" mesmo, com maturidade e inteligência fora do normal. Ela ficou conhecida por ser uma das blogueiras de moda mais jovens do mundo. Aos 11 anos, com o blog Style Rookie, ela ganhou o mundo por causa do seu estilo com referências inteligentes e ideias transgressoras. Aos 12, já assistia desfiles na primeira fila das melhores semanas de moda . Atualmente, aos 18 anos, é editora da revista Rookie Magazine, criação própria, uma extensão de seu blog. Sem contar que Tavi já se aventurou no cinema, no ótimo “À Procura do amor”, que falei aqui. E este ano está estrelando uma peça na Broadway, This Is Our Youth!

Essa introdução já diz muito, né? Eu lembro de, há alguns anos, ler sobre uma blogueira de moda pré-adolescente e ficar chocada – negativamente – com isso. Puro preconceito meu, admito. Pois ela é muito mais. Lendo sobre Tavi, descobri que ela decidiu se distanciar do mundo da moda por ver que aquele universo de desfiles high fashion, consumo desenfreado e corpos com padrões a seguir, mais aprisionava que libertava, o que sempre acreditou ser o propósito da moda.

Sobre o vídeo, Tavi fala de personagens femininas na cultura pop. Ela evidencia a falta de facetas delas, mas destaca as poucas e boas que existem no cinema e na TV. Tavi cita Tina Fey, com seu 30 Rock (sensacional), Kristen Wiig com Missão Madrinha de Casamento (adoro!), Lena Dunham com Girls (excepcional), que já falei aqui e aqui, entre outras.
  

O que eu quero expressar aqui é a importância de meninas e mulheres como Tavi, Lena, Tina e Kristen, de mostrarem na cultura que mulheres são muito mais que estereótipos. Mulheres são complexas como todo ser humano. Nossa cultura é recheada clichês e personagens, principalmente femininas, sem múltiplas facetas. Acho que está aí a resposta da minha preferência por filmes independentes. São nessas obras que costumam ser retratadas pessoas reais. Eu não sou um estereótipo, um clichê. Sou multifacetada, complexa. E não conheço ninguém unidimensional, mulher ou homem. Por isso, vou encerrar esse texto com uma frase incrível de Tavi na palestra: “Mulheres são complicadas... não porque são malucas, mas porque as pessoas são malucas, e mulheres são pessoas.” Sem mais.


Para ver o vídeo, clique aqui. Enjoy!

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

A obrigação de crescer e amadurecer


Como gosto de ressaltar aqui frequentemente, me admira cada vez mais a capacidade do cinema de despertar a identificação através de uma obra. Posso afirmar que é através dessa identificação que encontramos a catarse necessária para enfrentar e lidar com a realidade. Pelo menos, é o que acontece comigo. 

É com essa introdução que venho apresentar Frances Ha, um dos melhores filmes que vi este ano. Muitas foram as comparações que vi, nas críticas que li, com a série Girls, de Lena Dunham. No entanto, apesar de eu ser completamente apaixonada pela série de Dunham, como já mostrei aqui e aqui, "Frances" desponta como uma obra menos crua esteticamente e, embora mais doce, é também triste e melancólica.   

Vamos à história: Frances (Greta Gerwig) divide um apartamento em Nova York com Sophie (Mickey Sumner), sua melhor amiga. Brincalhona e com ar de quem não deseja crescer, ela recusa o convite do namorado para que more com ele justamente para não deixar Sophie sozinha. Entretanto, a amiga não toma a mesma atitude quando surge a oportunidade de se mudar para um apartamento melhor localizado, mesmo que isto signifique que ela e Frances passem a morar em locais diferentes. A partir de então tem início a peregrinação de Frances em busca de um novo lugar que se adeque às suas finanças, já que ela é apenas aluna em uma companhia de dança à espera de uma chance de integrar o grupo de bailarinos que encenará o espetáculo de Natal. Mesmo diante das dificuldades, Frances tenta manter o alto astral diante os problemas que a vida adulta traz.

Achamos que ao sair da faculdade caminharemos rumo ao crescimento pessoal e profissional rapidamente. Mas as coisas não são assim e é nesse período que muitos de nós somo obrigados a crescer e amadurecer, por mais que muitas vezes relutemos. O mais impressionante é nos darmos conta de que, além de não estarmos onde e como imaginávamos, também vermos que os nossos sonhos estão bem longe virarem realidade.

E é sobre isso o filme dirigido por Noah Baumbach. A obra traz uma leveza, ao mesmo tempo em que é um "wake up call" para essa geração, a minha geração. Todos nós crescemos, mas não necessariamente amadurecemos. Mais uma vez ressalto a importância da arte, pois é através dela que enxergamos de forma mais ampla o que ocorre em nossa volta. Espero que não aconteça apenas comigo. 



OBS: Não posso deixar de citar duas cenas que, na minha opinião, foram as melhores do filme: a cena de Frances dançando ao som de Modern Love, de David Bowie e uma linda cena de uma conversa em um jantar. Maravilhosas! 

sábado, 1 de junho de 2013

...Continuando

Em adição ao post anterior, gostaria de colocar esta cena de "Girls" que, para mim, é uma das melhores da série. São diálogos inteligentes que mostram o clima real do programa, além de ótima direção e performance das atrizes. A cena em questão é de uma brigada entre Hannah e Marnie.


Já esta outra cena - que também adoro - mostra Jessa pela primeira vez em um momento de vulnerabilidade, destruindo o estereótipo de menina cool e bem resolvida. Na cena, Jessa procura Hannah e, sem falar nada, demonstra todas as suas emoções após o fim de seu casamento relâmpago. Palmas para Jemima Kirke, que não se considera atriz, mas que aqui dá um show de interpretação. 




O que acharam das cenas? Alguém se identifica?

sexta-feira, 31 de maio de 2013

EMOTIONAL NUDITY

Divaguei, divaguei e divaguei sobre como escreveria a resenha desta, que é a série que mais me tocou no último ano. Confesso que não foi de primeira, mas, com o passar dos episódios, “Girls” me conquistou e extraiu emoções de mim que achei que nenhum filme, série ou livro o faria.  Ainda bem que a arte existe!
Obrigada, Lena Dunham, por despir-se emocionalmente e trazer à tona emoções difíceis de lidar. A atriz, que também é protagonista, criadora, roteirista, diretora e produtora da série da HBO, inova na maneira de retratar um grupo de meninas de 20 e poucos anos.
Girls narra a história de Hanna Horvath (Lena Dunham), uma aspirante a escritora que precisa se virar sozinha depois que seus pais decidem retirar a ajuda financeira. Com 24 anos, a protagonista é acomodada, insegura, mimada e tem sérios problemas de autoestima, compondo um personagem complexo e que pode evoluir bastante ao longo da série. Além de Hanna, Girls também apresenta Marnie (Allisson Williams), uma recepcionista da galeria de arte, cujo sonho é trabalhar com questões ambientais. Ela é apresentada como a mais “responsável” do grupo, mas mesmo assim vive um relacionamento completamente enfadonho com alguém que não combina com ela. Já Jessa (Jemima Kirke) é uma britânica estudante de filosofia, que afirma ter viajado pelos quatro cantos do planeta. Seu estereótipo é o da garota descolada e bem resolvida, mas logo percebemos que as coisas não são exatamente da forma que ela demonstra. A última personagem é Shoshanna (Zosia Mamet), a prima de Jessa. A caçula do grupo está ainda na faculdade e é virgem no início da série. Inicialmente, tem a intenção de encontrar um namorado bem sucedido e sonha com uma vida no estilo “Sex and the City”. Posteriormente, revela-se uma surpreendente fonte de sabedoria.
“Devemos escrever sobre o que sabemos” é uma frase que ouço muito. E, com apenas 26 anos, Lena vem escrevendo sobre os 20 e poucos anos de uma geração perdida e em crise como ninguém. Esta geração está perdida não apenas economicamente, mas também em relação a rumos futuros, principalmente nos EUA, onde se passa a série e local onde a recessão perdura significativamente até hoje.
No entanto, como uma brasileira de 24 anos e jornalista recém-formada (também com pretensões literárias), me identifico constantemente com os percalços destas quatro protagonistas.
A série foi bastante comentada devido às suas cenas de sexo um tanto bizarras. Mas, como afirmou a intérprete de Marnie, Allison Williams, muito mais do que a “nudez corporal”, a série apresenta de forma crua as emoções destas jovens, ou seja, a nudez emocional, retratada no título deste post. Lena, através dos diálogos e situações da série, é capaz de despir-se emocionalmente como nunca vi. E, por causa dessa falta de pudores emocionais e psicológicos, a série vem se destacando cada vez mais.  
Hannah é uma menina mimada, preguiçosa e que não assume seus erros. Por isso, muitas vezes a julgamos. Mas, afinal, quem nunca agiu assim? O que quero ressaltar aqui é que é realmente incômodo nos vermos através de nossos próprios defeitos que, muitas vezes, procuramos mascarar. E assim segue a sociedade, querendo enfeitar e esconder. Por isso a arte existe, para perturbar o que é confortável, para testar os limites da hipocrisia. E para que, desta forma, ao olharmos para nós mesmos, possamos evoluir e nos tornar pessoas melhores. Bem, esse é o meu ponto de vista.