sábado, 1 de junho de 2013

...Continuando

Em adição ao post anterior, gostaria de colocar esta cena de "Girls" que, para mim, é uma das melhores da série. São diálogos inteligentes que mostram o clima real do programa, além de ótima direção e performance das atrizes. A cena em questão é de uma brigada entre Hannah e Marnie.


Já esta outra cena - que também adoro - mostra Jessa pela primeira vez em um momento de vulnerabilidade, destruindo o estereótipo de menina cool e bem resolvida. Na cena, Jessa procura Hannah e, sem falar nada, demonstra todas as suas emoções após o fim de seu casamento relâmpago. Palmas para Jemima Kirke, que não se considera atriz, mas que aqui dá um show de interpretação. 




O que acharam das cenas? Alguém se identifica?

sexta-feira, 31 de maio de 2013

EMOTIONAL NUDITY

Divaguei, divaguei e divaguei sobre como escreveria a resenha desta, que é a série que mais me tocou no último ano. Confesso que não foi de primeira, mas, com o passar dos episódios, “Girls” me conquistou e extraiu emoções de mim que achei que nenhum filme, série ou livro o faria.  Ainda bem que a arte existe!
Obrigada, Lena Dunham, por despir-se emocionalmente e trazer à tona emoções difíceis de lidar. A atriz, que também é protagonista, criadora, roteirista, diretora e produtora da série da HBO, inova na maneira de retratar um grupo de meninas de 20 e poucos anos.
Girls narra a história de Hanna Horvath (Lena Dunham), uma aspirante a escritora que precisa se virar sozinha depois que seus pais decidem retirar a ajuda financeira. Com 24 anos, a protagonista é acomodada, insegura, mimada e tem sérios problemas de autoestima, compondo um personagem complexo e que pode evoluir bastante ao longo da série. Além de Hanna, Girls também apresenta Marnie (Allisson Williams), uma recepcionista da galeria de arte, cujo sonho é trabalhar com questões ambientais. Ela é apresentada como a mais “responsável” do grupo, mas mesmo assim vive um relacionamento completamente enfadonho com alguém que não combina com ela. Já Jessa (Jemima Kirke) é uma britânica estudante de filosofia, que afirma ter viajado pelos quatro cantos do planeta. Seu estereótipo é o da garota descolada e bem resolvida, mas logo percebemos que as coisas não são exatamente da forma que ela demonstra. A última personagem é Shoshanna (Zosia Mamet), a prima de Jessa. A caçula do grupo está ainda na faculdade e é virgem no início da série. Inicialmente, tem a intenção de encontrar um namorado bem sucedido e sonha com uma vida no estilo “Sex and the City”. Posteriormente, revela-se uma surpreendente fonte de sabedoria.
“Devemos escrever sobre o que sabemos” é uma frase que ouço muito. E, com apenas 26 anos, Lena vem escrevendo sobre os 20 e poucos anos de uma geração perdida e em crise como ninguém. Esta geração está perdida não apenas economicamente, mas também em relação a rumos futuros, principalmente nos EUA, onde se passa a série e local onde a recessão perdura significativamente até hoje.
No entanto, como uma brasileira de 24 anos e jornalista recém-formada (também com pretensões literárias), me identifico constantemente com os percalços destas quatro protagonistas.
A série foi bastante comentada devido às suas cenas de sexo um tanto bizarras. Mas, como afirmou a intérprete de Marnie, Allison Williams, muito mais do que a “nudez corporal”, a série apresenta de forma crua as emoções destas jovens, ou seja, a nudez emocional, retratada no título deste post. Lena, através dos diálogos e situações da série, é capaz de despir-se emocionalmente como nunca vi. E, por causa dessa falta de pudores emocionais e psicológicos, a série vem se destacando cada vez mais.  
Hannah é uma menina mimada, preguiçosa e que não assume seus erros. Por isso, muitas vezes a julgamos. Mas, afinal, quem nunca agiu assim? O que quero ressaltar aqui é que é realmente incômodo nos vermos através de nossos próprios defeitos que, muitas vezes, procuramos mascarar. E assim segue a sociedade, querendo enfeitar e esconder. Por isso a arte existe, para perturbar o que é confortável, para testar os limites da hipocrisia. E para que, desta forma, ao olharmos para nós mesmos, possamos evoluir e nos tornar pessoas melhores. Bem, esse é o meu ponto de vista.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Under Pressure


É tão bom ser surpreendida positivamente! Sem grandes expectativas, fui assistir “Se Enlouquecer, Não se Apaixone” (It's Kind of a FunnyStory). Novamente, o título brasileiro foi infeliz. Mas não se deixe enganar, o filme vale a pena. Contando com uma sensibilidade sutil, porém poderosa, o longa é contado de forma simples e traz atuações delicadas através de uma história cativante. Pena que não teve seu devido reconhecimento...

Vamos à história! Craig, um menino de 16 anos (Keir Gilchrist), estressado com as demandas de ser um adolescente e por causa de sérios problemas escolares e emocionais, se interna em uma clínica psiquiátrica. Lá ele descobre que a ala dos menores está fechada — e se encontra preso na enfermaria adulta. Craig passa a conviver com adultos que possuem diversificados problemas mentais — incluindo Bobby (Zach Galifianakis) o qual se torna mentor de Craig durante sua estadia na clínica —, e se apaixona por uma moça um tanto desequilibrada, da mesma idade, chamada Noelle (Emma Roberts).


Encantei-me com dois atores em particular: Keir Gilchrist, intérprete do sensível e depressivo Craig; e  Zach Galifianakis, ator já conhecido por seu ótimo timing cômico e pela trilogia de estrondoso sucesso “Se Beber Não Case”. O primeiro se mostra natural no papel de um menino emocionalmente abalado pelas pressões que sofre. Demonstrando grande vulnerabilidade, Gilchrist apresenta sutilmente o que a depressão pode fazer com um jovem rapaz. Já Galifianakis prova que a veia cômica não é sua única virtude como ator. Em um papel que é um misto de comédia e drama, Zach entrega um personagem cativante, no qual torcemos e queremos ajudar. Versatilidade é isso.

Destaco também a participação da atriz indicada duas vezes ao Oscar, Viola Davis. Ótima como a psiquiatra responsável por esta ala do hospital, Davis nos entrega uma terapeuta que foge dos clichês do gênero, com uma participação que, embora seja curta, é extremamente eficiente. Viola é o tipo de atriz que traz energia consigo. Mais um ponto positivo para o longa!


Não vou me estender, pois espero que muitos vejam o filme e, como eu, se surpreendam. A mensagem por mim captada é: não ceda à pressão. Sim, ela é constante e a vida por si só já é difícil. Mas, deixemos para sofrer e nos preocupar com o que for realmente desconcertante. Como diria Mercury e Bowie, “Why can't we give love that one more chance?”. Vamos dar mais uma chance para amor e para nós mesmos.


OBS: A música “Under Pressure” não foi citada no título à toa, há no filme uma parte com a canção. Imperdível, cativante e catártico!

sábado, 11 de maio de 2013

Ser gentil ao invés de ter razão


Sim, eu sei que o nome do blog é CineCult Addiction e fala sobre cinema, mas desta vez vou mudar de foco e escrever sobre um livro que eu me apaixonei perdidamente. No entanto, para não perder o gancho cinematográfico, a obra em questão é a inspiração de um filme que eu amo, o homônimo O Lado Bom da Vida (Silver Linings Playbook). Abaixo, a sinopse oficial:
Pat Peoples, um ex-professor de história na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um "tempo separados". 
Tentando recompor o quebra-cabeça de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora. Com seu pai se recusando a falar com ele, sua esposa negando-se a aceitar revê-lo e seus amigos evitando comentar o que aconteceu antes de sua internação, Pat, agora um viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida. 
À medida que seu passado aos poucos ressurge em sua memória, Pat começa a entender que "é melhor ser gentil que ter razão" e faz dessa convicção sua meta. Tendo a seu lado o excêntrico (mas competente) psiquiatra Dr. Patel e Tiffany, a cunhada viúva de seu melhor amigo, Pat descobrirá que nem todos os finais são felizes, mas que sempre vale a pena tentar mais uma vez.
Um livro comovente sobre um homem que acredita na felicidade, no amor e na esperança.


Matthew Quick, onde você esteve este tempo todo? Que escritor brilhante! Consegue captar cada ação, pensamento, sentimento e emoção de seu personagem principal de maneira lindamente minuciosa, fazendo com que o leitor sinta tudo o que Pat sente durante a obra. O livro, de uma leitura leve, apesar do tema forte, nos faz compreender o que se passa na cabeça de Pat, pois é narrado pelo protagonista quase como um diário.
Me fascina a mente de um artista, seja ele escritor, roteirista, cineasta ou ator e sua capacidade de criar. Transformar um personagem em humano como todos nós. Sem máscaras, sem estereótipos, sem limitações. Esse é Pat, que, ainda mais especial, sofre de transtorno bipolar.
A batalha de Pat em descobrir o que realmente aconteceu para ir para o “lugar ruim” e a sua quase infantil filosofia de que sua vida é um filme e no final as coisas vão dar certo, são fatores que fazem o leitor se encantar pelo personagem. Seu maior objetivo, seu final feliz, é se reconciliar com Nikki e terminar com o “tempo separados”.
O que é fascinante em Pat é sua devoção em se tornar uma pessoa melhor. Como ele repete diversas vezes no livro, “estou praticando ser gentil ao invés de ter razão”. É lindo e, ao mesmo tempo, triste, o fato de Pat se esforçar tanto para se tornar uma pessoa genuinamente boa e manter sua sanidade, enquanto tantas pessoas perfeitamente sãs fazem coisas horríveis.
A narrativa se torna ainda mais interessante quando entra em cena Tiffany. Com seus próprios demônios interiores, porém com consciência deles (diferente de Pat), Tiffany é uma personagem tão poderosa quanto o protagonista, embora tenha menos destaque. Com uma história igualmente triste e também com o peso de uma doença mental, ela é uma mulher que, apesar de machucada pelos dissabores da vida, traz consigo a coragem de assumir quem de fato é. Ela não se esconde através de máscaras, e reconhece que tem problemas, apesar da hipocrisia da sociedade, que quer mascarar qualquer idiossincrasia das pessoas.
Além de todas as dificuldades que enfrenta, Pat ainda tem que lidar com seu difícil pai. Um homem que só fica de bom humor quando seu time de futebol americano ganha. Um personagem duro, podendo ser visto, se fosse um livro mais “preto e branco”, como um antagonista. No entanto, ele não é um vilão, pois esta é uma narrativa realista, sem heróis nem bandidos, e sim humanos. É um homem complicado, teimoso e que se recusa a falar com seu filho mentalmente instável. Um patriarca que não dificilmente podemos encontrar nas famílias de classe média pelo mundo. Porque lidar com doenças mentais não é fácil. E, embora seja um assunto menos estereotipado atualmente, ainda há muito preconceito ao seu redor.
Adiciono na lista de personagens cativantes o terapeuta de Pat, Cliff, um sujeito doce, competente e, que posso afirmar, o melhor terapeuta que já vi na literatura ou no cinema, na minha humilde opinião. Sua adorável, protetora e dedicada mãe, Jeanie, e seu amado irmão Jake. Esses três, juntamente com seu melhor amigo Ronnie e Tiffany, ajudam Pat a percorrer o difícil caminho de recuperar a memória, o tempo perdido e sua sanidade.
Como aconselha Pat, devemos ser positivos, acreditar em finais felizes e no lado bom da vida. No entanto, sem perder a noção de realidade, pois ainda assim, a vida é difícil e é necessário encará-la.




sexta-feira, 26 de abril de 2013

A hipocrisia das relações humanas



Nova York, dias atuais. Dois casais de classe média alta se reúnem na casa de um deles para discutir o fato de o filho de um ter batido no do outro. Deus da Carnificina (Carnage, 2011), do consagrado e polêmico Roman Polanski, mostra o embate, inicialmente civilizado, desses dois casais. Dissecando a sinopse, o filme traz uma crítica ao politicamente correto, quando todas as normas de conduta da sociedade são esquecidas.
A personalidade distinta destes quatro: Nancy Cowan (Kate Winslet), Allan Cowan (Christoph Waltz), Penelope Longstreet (Jodie Foster) e Michael Longstreet (John C. Reilly), é enfatizada no decorrer da trama, quando as mascaras vão caindo e a civilidade é descartada.
O primeiro casal é composto pelos pais do menino que agrediu. Nancy é uma mulher aparentemente educada e sofisticada, que muitas vezes se desculpa pelo comportamento cínico do marido, Allan. Este, por sua vez, é o que menos parece fingir. Extremamente irônico, o personagem parece estar assistindo tudo aquilo e pensando “eu sabia!”.
O segundo casal, formado por Penelope e Michael, é o que podemos chamar de exemplo da hipocrisia social. Ela, uma mulher cheia de valores morais, parece a todo instante querer educar e mostrar o que é melhor para os outros. Ele é um sujeito aparentemente calmo, mas que na verdade esconde um temperamento forte.
À medida que a discussão cresce, os bons costumes desaparecem. Ser contrariado pode nos tirar do sério. Antes disso, somos muito civilizados. A violência na sociedade é o resultado de embates contrários, sejam eles religiosos ou politicos. Afinal, o que explica as guerras?
Não é apenas o politicamente correto que é posto em xeque. As diferenças cruciais entre homens e mulheres também são ressaltadas na trama. A degradação dos relacionamentos sociais são postos à prova. Em meio disso tudo, um humor negro que nos faz rir de nós mesmos.


Como citou Balzac, “os costumes são a hipocrisia de uma nação”. Essa fantástica obra, baseada na peça da dramaturga francesa Yasmina Reza, justifica perfeitamente tal afirmativa. 

domingo, 5 de agosto de 2012

Young folks




Até onde nossos planos dão certo? A fórmula parece simples: estudar, se formar, trabalhar, casar e ter filhos. No entanto, essa nem sempre é a ordem natural das coisas, e muitos optam por recorrer a outro caminho.
É engraçado quando analisamos os sonhos e desejos que tínhamos na época da escola e imaginávamos como seria nossa vida ao se formar. Seremos bem-sucedidos, realizados pessoalmente e com uma família em vista – isso antes dos 30 anos. Depois, é lucro.
Curioso também é como um filme pode me fazer refletir sobre a vida. A história não precisa ser de identificação total com meu cotidiano, mas as emoções e catarse provocadas pela obra são extremamente tocantes.
Esse começo é para introduzir o filme que hoje escrevo: Jovens Adultos (Young Adults, 2011). Escrito por Diablo Cody e dirigido por Jason Reitman, a mesma dupla do ótimo e aclamado Juno (idem, 2007), o longa conta a história de Mavis Gary (Charlize Theron, em performance incrível e ignorada pela Academia), uma ghostwriter já sem tanta criatividade para produzir seus livros juvenis. A fim de recuperar a inspiração – já que seus livros não fazem mais tanto sucesso – e a própria identidade, ela volta para sua cidade natal, onde pretende reencontrar conhecidos da adolescência e reviver seu passado. Uma parte deste passado é o ex-namorado dos tempos de escola, Buddy Slade (Patrick Wilson), que encontra já casado e com um filho. Nessa jornada, Mavis acaba criando uma ligação fora do comum com um ex-colega Matt Freehauf (Patton Oswalt), que também ainda não superou totalmente o colegial. 
Com 37 anos, o peso de um divórcio nas costas, alcoólatra e com sua série de livros fadada ao fracasso, Mavis quer recuperar os tempos de glória que tinha quando era a garota mais popular da escola. Para isso, ela age como uma adolescente acreditando que conseguirá a felicidade passada reatando com seu namoradinho da adolescência.
A relação de Mavis com Matt é a mais interessante. A amizade improvável chama atenção. Ambos se veem presos ao passado. Ela pelos motivos acima citados, e Matt pelo trauma de ter sido alvo da violência dos garotos populares da escola, que bateram tanto nele, o que resultou em um problema físico.


segunda-feira, 5 de março de 2012

Reality bites


Acredito que um dos segredos para um grande obra - seja na literatura, ou como nesse caso, no cinema - é sua atemporalidade. Aquele fator que permanece com o passar dos anos, cujo o público possa se identificar, não importando sua geração.
Esse é o caso de Caindo na Real (Reality Bites, 1994), que após dezoito anos de sua estreia, permanece atual e completamente condizente com essa geração - a minha geração.
O filme retrata, entre outras questões, as crises existenciais de jovens de 20 e poucos anos, o que não poderia ser mais atual. Seja na geração MTV dos anos 90, ou na atual geração Y.  
Como melhor aluna da faculdade, a jovem Lelaina Pierce (a ótima Winona Ryder) estava destinada a um grande sucesso profissional. Na realidade, ela é uma assistente de produção de um detestável programa de TV matinal de seu patrão, Grant Gubler. Em seu tempo livre, Lelaina faz um ultrajante documentário em vídeo sobre a vida de sua colega de quarto, a liberal Vickie Miner, o sexualmente reprimido Sammy Gray e seu melhor amigo, Tray Dyer, um rebelde brilhante, mas desmotivado. Ao conhecer Michael, um ambicioso executivo de vídeo que quer mostrar o documentário dela num programa de televisão, ela se vê de repente no centro de um estranho triângulo amoroso com o dependente Michael (Ben Stiller) de um lado e o sexy Tray (Ethan Hawke, também sensacional) do outro. 
Confesso que a minha identificação com o longa foi instantânea e me vi em muitas situações pelas quais os personagens passam. Inclusive, a idade é a mesma.
"Eu realmente queria ser alguém quando tivesse 23 anos", confessa Lelaina. Tray responde: "Minha querida, tudo o que você tem que ser com 23 anos é você mesma". Ela devolve: "Eu já não sei mais quem ela é".
Divórcio, HIV, homossexualidade também são assuntos retratados no filme com sutileza, o que faz a obra ser bastante agradável , mas nem por isso deixa de ser questionadora. 
Indefinições, inseguranças, instabilidade. Essas são questões universais, não importa sua idade, nem sua geração.